quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Sobre enchentes

Ultimamente estamos convivendo em certa “guerra” com os fenômenos naturais e as consequentes catástrofes. O Estado de São Paulo e o interior do Rio de Janeiro estão sendo castigados com inundações e também desabamentos. Ouvir falar de problemas estruturais em São Paulo já não é mais novidade, tendo então a imprensa uma postura extremamente sensacionalista, mostrando a natureza como destruidora e cruel, deixando o real problema que são as políticas públicas em um segundo plano. 
Estudos de diversos órgãos apontam que os problemas das enchentes e dos deslizamentos eram “esperados” pelas autoridades, e que as mesmas em pleno conhecimento do problema, nada fizeram para contornar as expectativas. Não é possível que uma grande metrópole como São Paulo tenha um sistema de esgotos extremamente ultrapassado e também que a Prefeitura, Governo Estadual e União não tenham uma postura preventiva quanto às áreas de ocupação irregular, que não são fatos isolados, mas sim uma crescente nos dias de hoje. Mas também apontar o governo como o único responsável, seria uma total demasia, visto que a própria população, independentemente de qual classe seja oriunda, age em total descaso com a cidade, largando em locais não apropriados diariamente toneladas de lixo em uma postura de descaso e completamente inconsciente em relação ao seu meio, e não é percebido que uma atitude como essa afeta totalmente o seu habitat e trás conseqüências catastróficas em que todos nós sentimos, seja nas enchentes, seja na morte de rios e arroios que outrora eram produtivos para diversos setores e agora não passam de grandes esgotos a céu aberto.     
Com uma série de políticas públicas que são notoriamente equivocadas, está sendo gasto muito dinheiro com planos de emergência e sem contar à parte que não tem valores só em dinheiro com as vítimas fatais e pessoas flageladas por conta das catástrofes. Já é mais do que hora de se pensar em prevenir situações futuras com uma nova política de habitação popular e um novo sistema de drenagem urbana, pois um país que está disposto a gastar milhões em infraestrutura com uma Copa do mundo, deveria pensar também em seu povo, ao qual trabalha para o país, paga impostos e mesmo assim não tem acesso a uma vida às vezes minimamente digna. Foi dito uma vez que nem só de pão vive o homem, então sem a educação da população não adianta o investimento em obras, pois continuará os problemas de drenagem, pois uma boca de lobo entupida não absorve água e o problema continua. Só existe uma maneira de resolver tamanho problema, a população e governo deverão em conjunto fazer uma revolução de valores e de consciência, pois senão ficaremos nessa mesma sina: Será que devo vender o carro para comprar a gasolina?
Bruno Ingrassia

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